domingo, 15 de março de 2015

Shiki - Uma taça deliciosa de suspense misturada com sangue humano [CONTÉM SPOILERS]




Lembra daquele tempo em que vampiros não eram adorados pela massa teen, mas sim odiados, caçados, e tinham medo de água benta, cruzes e outros símbolos religiosos? Sim, isso acontecia há muito tempo atrás. Eu nem era nascido nesse época, mas enfim, esses eram tempos em que os vampiros ainda eram caracterizados como criaturas aterrorizantes e medonhas, coisa que até 2012 foi desmaterializada por certos filmes e livros. Porém, Shiki se apresenta como um anime que resgata esses vampiros old-school e ainda adiciona um tempero de suspense.

[eu assisti à versão blu-ray, ou seja, assisti episódios que vieram dentro dessa versão]


  • História

A história se passa numa pequena e calma vila, obviamente, japonesa. Algumas pessoas passaram a se mudar para essa vila, um deles sendo o Natsuno, sendo o nosso protagonista (ou não) e a notória família Kirishiki, que construiu uma casa de estilo européia que fez um grande fuzuê entre os moradores. Após a vinda da tal família para a vila, uma "epidemia" tomou conta da localidade. Uma anemia que piorava de dia em dia e que mais tarde, o doutor Toshio Oozaki descobriria que, na verdade, era um ataque de vampiros.

Eu, sinceramente, achei genial como o escritor não lançou de cara o que estava acontecendo de verdade em relação à doença. Eu mesmo, estava acreditando, como muitos personagens, que o que estava acontecendo era que a família recém chegada havia trazido uma maldição que tinha propagado a doença incurável. Uma jogada de mestre. No entanto, os dois primeiros episórios da história eram entendiantes e clichês. Megumi tinha um crush muito grande com o Natsuno, e odiava a vila. Ela era muito extravagante. Enquanto Natsuno cagava pra ela. Porém, quando o doutor Oozaki começa a se aprofundar na doença é que a história começa a ficar realmente boa.



Uma coisa que eu achei muito sem noção, é quando o Dr, conversa com Natsuno, que já havia descoberto sobre os Shikis, sobre uma suposta "ressuscitação" de Megumi. Parece que após essa conversa, o Dr. recebe um toque divino e PÁ! Do nada começa a desconfiar sobre algo sobrenatural (mais ligado à lenda dos "ressuscitados" a vila tinha) estava causando a doença.

Mas é depois que o Dr. descobre sobre os Shikis, a história começa a ficar menos interessantes à cada episódio, e só volta a ficar interessante quando o Dr. descobre como matar os Shikis (esqueci de mencionar que os Shikis são vampiros e lobisomens, porém o Seishin deu esse nome aos "amiguinhos" dele), usando estacas, e descobre que figuras religiosas trazem-os desconforto e medo. E fica ainda melhor quando a população entra na onda e começam a matar todo mundo. Mas do mesmo jeito que eles matam, o anime mostra como as pessoas mais boas do anime podem ser as mais cruéis. Teve um episódio, em que uma senhora oferece uma xícara de chá SORRINDO, COM SANGUE NO SEU ROSTO, para uma jovem que em instantes atrás tinha matado um vampiro. Eu gostei que o anime meio que expressa os dois lados da moeda. Um lado dos vampiros que precisam sugar sangue de humanos para viver (e isso não quer dizer que eles são sem coração, eles tinham sentimento e a maioria ainda atacava sua família, torcendo para que eles ressuscitassem também), e do outro os humanos que eram pobres e frágeis antes de saberem como reagir, e que depois de aprenderem a matar, viram cruéis e impiedosos.



E essa coisa da frieza humana é levada tão à sério, que em alguns episódios, era mostrado o sentimento de tristeza e arrependimento que alguns Shikis sentiam quando matavam seus familiares, para viverem juntos na eternidade, mas eles não ressuscitavam. Era muito piedoso. Porém o plot twist vinha quando os humanos, que eram as donzelas indefesas até a metade da série, se tornaram assassinos brutais quando descobriram como matar os Shikis. A coisa era tão intensa que quando um humano era picado, os outros humanos, imediatamente o matavam, temendo que tornasse-se em um Shiki. E ainda alegavam que os vampiros não tinham sentimentos,e que deviam os matar.

Eu não era do time Shiki, mas sim dos humanos, mas uma coisa que me deixou pensativo foi como o homem muda completamente sua atitude quando se tem o poder na mão. Uma mudança de identidade completa. Acho que o escritor quis botar um pouco do lance de Pós-modernidade no anime, pois é muito discriminada a mudança do sentimento dos humanos no final do anime. E além do mais, existiam também os lobisomens, que por sua vez quase não tiveram desenvolvimento. Eles tinham pulso, calor, podiam ser expostos ao sol... faziam tudo, mas NÃO viraram LOBOS! Como assim gente? Lobisomens que não viram lobos!?!? HÃ? Enfim, como eles não tinham pulso, os humanos também os atacavam, alegando que eram outros humanos ligados à Shikis, e a identidade real deles nunca foi descoberta pela população.

Então, como eu disse, na metade do anime, parecia que o enredo estava desandando, e o anime ficava menos interessante, mas o que deixou isso tão exposto era que para a história continuar, ela devia ter que ficar um pouco "calma". Quero dizer, que nesse período, a história ficou um pouco de lado e se deu mais atenção aos personagens, que por sua vez, muitos eram clichês e sem personalidade.

  • Personagens

Nossa, Senhor da Glória! Chegamos ao ponto mais fraco do anime! Aqui vou falar só sobre os mais "relevantes" da história.

Vamos primeiro colocar o Natsuno na cruz. Natsuno é o garoto mais bonito do bloco, alto, sem assunto (literalmente, ele não falava de nada, era caladão e antipático), era indiferente com as pessoas, principalmente com a Megumi, que era uma gostosona que queria o corpo dele, porém ele a ignorava (coisa que eu achei meio estranha, sendo que ele cagava de medo da Megumi entrar no quarto dele pela janela, mas deixava o falecido amigo dele dar umas "chupada" no sanguinho dele...) Enfim, quase um esteriótipo dos heróis japoneses. O problema era que ele não era nada interessante, a única coisa que fazia o espectador acompanhar ele era a quantidade de screentime, que após a metade do anime foi reduzida pra quase nenhum screentime. Parece que quando ele virou lobisomem que não vira lobo, ele parou de servir pra trama. NEM A MEGUMI SABIA QUE ELE TINHA RESSUSCITADO! Como assim diretor?! Enfim, um personagem que foi introduzido como o principal, mas no final só serviu pra rolar a história.

Agora vamos falar sobre o real protagonista, o Dr. Toshio Oozaki. Outro personagem nada interessante, porém, mostrava mais emoções que Natsuno. Ele era top, assumo, porém, a personalidade clichê dele era o que deixava "ruim".

Agora sobre o Seishin, um sacerdote que não servia pra nada, só dava conselhos para o Dr., deu um apelido aos vampiros e lobisomens, não queria matar os Shikis, escrevia livros e supostamente, salvou a Sunako no último episódio e virou um Shiki no final. SÓ ISSO. Ele só irritava. Ele era irrelevante, ao meu ver. Se o escritor tivesse tirado ele da história, não ia fazer nenhuma diferença, só a Sunako, outra que não fazia nada, só mandava na boca de fumo (Família Kirishiki) toda, iria ficar mais solitária.

Não vou me esquecer do Tatsumi, o mais interessante de todo o anime. Um lobisomem que era o lacaio da Sunako. Ele, provavelmente, foi quem iniciou a espalhar os vampiros pela vila. Ele era muito divertido. O rosto dele era engraçado. Porém era só um servo da família Kirishiki.

Não podemos falar da versão Shiki da Yuno, que era super clichê, odiava a vila e era uma stalker do Natsuno que virou uma vampira. Pronto!

  • Som

Gente, eu nem prestei atenção se tinha alguma trilha sonora rolando no fundo, quando eu me prendo muito à o que está acontecendo no anime, eu geralmente não presto atenção nas músicas. Ainda mais quando a gente devia ter que ter atenção redobrada, quando o anime voltava no tempo e mostrava fatos anteriores.

Porém, eu prestei atenção nas openings, e gostei muito. Mesmo preferindo a primeira, que dava mais sentimento de mistério, eu gostei da segunda também, que por sua vez apelou um pouco para o estilo JPop. Sobre as endings: eu sinceramente não escutei. Os únicos animes que eu escutei as endings foram/são Psycho Pass (1 e 2) e Aldnoah Zero (1 e 2), que eram as mais tops!


  • Enfim

Então, mesmo com algumas falhas, Shiki apresentou-se como uma anime de suspense muito interessante, resgatando aqueles vampiros antigos, jogando o telespectador contra a parede quando descobrimos que na verdade não havia maldição alguma, uma história cheia de plot twists. Porém,  o que manchava o anime era a grande quantidade de personagens frios, e sem conteúdo, que pareciam só estar lá para manter a história indo, e a indução ao erro de pensar que Natsuno seria o herói principal. Algo que achei ruim, pois, desde os primeiros episódios, o anime o apresentava como o herói da trama. 

Enfim, o anime é muito bom, e deveria ter um pouco mais de reconhecimento

Animação: 10
História: 9
Direção: 7
OST: 6

MÉDIA FINAL: 8

0 comentários:

Postar um comentário